BRASILIANAS | Celina retira Serrinha do Paranoá de plano de capitalização do BRB

Área de 716 hectares será transformada em parque ambiental; BRB alertou que imbróglio jurídico mais atrapalharia do que ajudava nas negociações; Região responde por 40% da água do Lago Paranoá

Por William França

A área da Serrinha do Paranoá fica em local estratégico

Área de 716 hectares será transformada em parque ambiental

BRB alertou que imbróglio jurídico mais atrapalharia do que ajudava nas negociações

Região responde por 40% da água do Lago Paranoá

Em meio à tentativa de reestruturação do Banco de Brasília (BRB), a governadora Celina Leão (PP) anunciou a retirada da Gleba A da Serrinha do Paranoá do plano de capitalização da instituição.

O terreno de 716 hectares, avaliado em R$ 2,3 bilhões, corresponde a cerca de um terço do conjunto de imóveis que o governo do Distrito Federal havia incluído na proposta, estimado em R$ 6,586 bilhões. Ambientalistas destacam que a área é um manancial hídrico de grande relevância ecológica, com diversas nascentes.

Celina afirmou que a decisão foi motivada pela "preocupação ambiental" e pelo risco de insegurança jurídica que poderia comprometer os demais ativos do plano. "A questão ambiental é séria. Isso poderia contaminar os demais ativos e manter o questionamento na Justiça. A área precisa ser preservada", disse.

A governadora determinou ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e à Secretaria de Meio Ambiente a adoção de medidas para transformar a Serrinha em parque.

O presidente do BRB já havia indicado que a área ficaria fora das negociações em razão do imbróglio jurídico. A ideia do governo é criar um fundo de investimento imobiliário (FII) com os imóveis restantes.

Divulgação/Ibram-DF - Localizada no Lago Norte, a área abriga cerca de 100 nascentes já catalogadas

Serrinha garante futuro hídrico

A Serrinha do Paranoá é considerada um cinturão verde estratégico para o Distrito Federal. Localizada no Lago Norte, a área abriga cerca de 100 nascentes já catalogadas, que alimentam nove córregos responsáveis por aproximadamente 40% da água limpa que chega ao Lago Paranoá.

Esse manancial é fundamental para o abastecimento de Brasília, especialmente após a crise hídrica enfrentada entre 2016 e 2018, quando o Paranoá passou a ser fonte de captação da Caesb.

Além da relevância hídrica, a Serrinha contribui para o equilíbrio climático, a recarga de aquíferos e a preservação do Cerrado nativo. A região também abriga produção agrícola orgânica e oferece contato direto com a natureza para moradores da capital.

Ambientalistas alertam que projetos imobiliários e de mobilidade previstos para o local podem provocar erosão, contaminação do solo e perda irreversível de biodiversidade.

Por sua importância ecológica e social, movimentos defendem que a área seja transformada em parque ambiental, garantindo a preservação das águas e a sustentabilidade de Brasília.