BRASILIANAS | Ibaneis e Caiado prometeram consórcio, mas não entregaram protocolo final do acordo
Promessa de baratear passagens não saiu do discurso; Sistema atende 380 mil passageiros por dia em mais de 300 linhas
Promessa de baratear passagens não saiu do discurso
Sistema atende 380 mil passageiros por dia em mais de 300 linhas
O consórcio interfederativo foi anunciado em 2024, após o reconhecimento da Região Metropolitana do Entorno pelo IBGE. A proposta, defendida pelos governadores Ibaneis Rocha (MDB) e Ronaldo Caiado (União Brasil), previa a unificação da gestão, integração das linhas e possibilidade de subsídio às tarifas.
Em setembro de 2025, Ibaneis declarou: “Eu e o governador Ronaldo Caiado já temos condições de encaminhar os projetos de lei para a Câmara Legislativa e ele para a Assembleia de Goiás autorizando esse consórcio. Precisamos apenas do aval da União e da ANTT.”
Na mesma ocasião, Caiado reforçou: “Os governos de Goiás e do Distrito Federal estão unidos na busca de uma solução para evitar o aumento das tarifas de ônibus na região do Entorno de Brasília. Falta agora apenas a participação do Governo Federal.”
Apesar das promessas, o consórcio não avançou. Em 2025, os dois governadores solicitaram à ANTT o adiamento de reajustes, alegando que estavam finalizando o protocolo de intenções. A agência atendeu duas vezes, mas exigiu a versão final e assinada do documento, que nunca foi entregue.
Na tentativa de viabilizar o projeto, Ibaneis e Caiado pediram a participação da União com aporte financeiro. O ministro dos Transportes, Renan Filho, recusou, alegando limitações legais e fiscais. Sem o apoio federal, considerado essencial para bancar subsídios, o consórcio perdeu força.
Mesmo sem a União, a ANTT se colocou como interveniente, representando o governo federal nas tratativas. Mas, até hoje, o processo não avançou. Os próximos passos dependem da aprovação da Câmara Legislativa do DF e da Assembleia de Goiás, que precisam autorizar formalmente os governadores a aderirem ao consórcio.
O que esperar
Enquanto o consórcio não sai do papel, o sistema permanece fragmentado, caro e sobrecarregado. Os passageiros seguem enfrentando longas jornadas, superlotação e tarifas em constante reajuste. A expectativa é que, nos próximos dias, a ANTT anuncie o aumento calculado para 2026, cumprindo a regra da resolução de 2007.
Para os usuários, trata-se de mais um capítulo de uma novela que se arrasta há anos: promessas de modernização e integração que não se concretizam, enquanto o custo da passagem continua a subir.