BRASILIANAS | Sem consórcio e sem subsídios, tarifas de ônibus entre DF e Goiás devem subir a partir deste mês

Resolução de 2007 obriga revisão anual das tarifas; índices já foram apurados Sistema atende 380 mil passageiros por dia em mais de 300 linhas Governos de Ibaneis e Caiado não entregaram protocolo final do consórcio

Por William França

Ônibus do transporte coletivo na região do Entorno do DF

Resolução de 2007 obriga revisão anual das tarifas; índices já foram apurados

Sistema atende 380 mil passageiros por dia em mais de 300 linhas

Governos de Ibaneis e Caiado não entregaram protocolo final do consórcio

Sem a criação do consórcio interfederativo entre o Distrito Federal e Goiás, que prometia integrar linhas e subsidiar tarifas, os passageiros do Entorno devem enfrentar nos próximos dias um novo reajuste nas passagens de ônibus.

Pela regra definida na Resolução nº 2.130, de 3 de julho de 2007, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os índices são calculados anualmente com base nos 12 meses anteriores, de janeiro a dezembro, e aplicados a partir de 15 de fevereiro. Embora os cálculos já estejam prontos, a agência ainda não divulgou oficialmente os novos valores.

A função da ANTT, nesse caso, é “garantir o equilíbrio financeiro do sistema”, conforme estabelece a própria resolução. Isso significa que os reajustes seguem uma fórmula paramétrica que considera custos operacionais como combustível, manutenção da frota, mão de obra e insumos. Sem o consórcio, que poderia trazer subsídios e racionalização, o peso recai diretamente sobre os usuários.

A operação no Entorno

O transporte semiurbano do Entorno é um dos maiores sistemas interestaduais do país. Ele conecta 11 municípios goianos à capital federal, em rotas que diariamente despejam milhares de trabalhadores em Brasília. Entre as cidades atendidas estão Luziânia, Valparaíso, Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Cristalina, Formosa e Cidade Ocidental.

São mais de 300 linhas regulares, operadas por diferentes empresas, como Taguatur, Rota do Sol, União Transportes, Urbi e Amazônia Inter. A frota, em grande parte envelhecida, enfrenta problemas recorrentes de superlotação e manutenção precária.

De acordo com dados da ANTT, o sistema transporta em média 380 mil passageiros por dia útil, o que representa mais de 47 milhões de embarques por ano. As tarifas variam conforme a distância percorrida: de R$ 5 em trechos curtos, como Valparaíso–Brasília, até mais de R$ 15 em rotas longas, como Luziânia–Brasília.