BRASILIANAS | Asfalto da EPNB se dissolve com as recentes chuvas, enquanto o GDF aguarda análise de reforma pelo TCDF
Rodovia estratégica do DF, com 70 mil veículos por dia, enfrenta colapso do pavimento; Relatório técnico apontava situação regular, mas trechos já expõem a sub-base; Certame previsto para setembro de 2025 foi suspenso
Rodovia estratégica do DF, com 70 mil veículos por dia, enfrenta colapso do pavimento
Relatório técnico apontava situação regular, mas trechos já expõem a sub-base
Certame previsto para setembro de 2025 foi suspenso
EXCLUSIVO - O colapso do pavimento da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB/DF-075) escancara a urgência de uma obra orçada em mais de R$ 103 milhões, mas que permanece paralisada.
A rodovia, que recebe cerca de 70 mil veículos por dia e é uma das principais ligações entre Brasília, o Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Samambaia e a BR-060 rumo a Goiânia e ao Sul do país, tem trechos em que o asfalto já desapareceu, expondo a sub-base — a camada de terra compactada que deveria estar protegida pelo revestimento.
As chuvas recentes aceleraram o processo de deterioração. Em vários pontos, os defeitos técnicos se apresentam em diferentes formas:
• Panela ou Buraco: cavidades que rompem o revestimento e atingem camadas inferiores, resultado da evolução de trincas não tratadas.
• Desgaste ou Desagregação (Nível Severo): quando a capa de asfalto desaparece gradualmente em áreas extensas, deixando o solo visível.
• Recalque ou Afundamento: ocorre quando a compactação do subleito é insuficiente e a pista cede sob o peso dos veículos, quebrando o asfalto e expondo a terra.
Relatório está defasado
Relatório técnico de junho de 2024, feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) já havia apontado trafegabilidade “regular”, com Índice de Gravidade Global (IGG) de 70 no trecho entre a EPIA e a BR-060 (sentido Samambaia) e 51 na via oposta, sentido Plano Piloto. De acordo com normas do DNIT, valores entre 40 e 80 classificam o pavimento como “Regular”. Quanto mais baixo o IGG, pior a rodovia.
Hoje, porém, a situação é mais grave do que levantado há um ano e meio: trechos inteiros já apresentam falhas severas, aproximando-se da classificação “Ruim” ou “Péssimo”. As fortes chuvas dos últimos meses agravaram a situação.
Apesar disso, o projeto de restauração e ampliação da EPNB segue travado. A licitação, prevista para setembro de 2025, foi suspensa e está sob análise do Tribunal de Contas do DF (TCDF). O certame, estruturado como Concorrência Eletrônica nº 90021/2025, previa disputa aberta pelo critério de maior desconto e tinha valor estimado de R$ 103.161.864,43.
A paralisação decorre da necessidade de correções processuais determinadas pela Decisão nº 2809/2025 do TCDF. Em outubro do ano passado, o DER-DF encaminhou documentação revisada, que segue em análise pelo corpo técnico da Corte.
O projeto prevê serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e em concreto, drenagem, sinalização, obras complementares e plantio de grama, além da elaboração de projeto executivo e plano de gerenciamento de resíduos sólidos. O prazo de execução estimado é de 540 dias (18 meses). A obra está inserida no Plano Plurianual 2024-2027 e vinculada à ação orçamentária de implantação do Corredor de Transporte Coletivo do Eixo Sudoeste.
Enquanto o processo segue travado, a rodovia se deteriora a olhos vistos. Para os usuários, o colapso do pavimento já é realidade: buracos, desgaste severo e recalques transformaram a EPNB em um desafio diário, reforçando a urgência de uma intervenção que ainda depende de aval técnico e jurídico.
