Arrecadação de multas de trânsito no DF cai em 2025 após dois anos de alta

O comportamento da arrecadação nos últimos sete anos - que coincidem com a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) - revela um movimento de crescimento contínuo até 2023, seguido de retração nos dois anos seguintes

Por William França

A arrecadação com multas de trânsito apresentou queda em 2025

A arrecadação com multas de trânsito apresentou queda em 2025, após dois anos consecutivos de valores acima da marca dos R$ 380 milhões. Dados oficiais mostram que o Governo do Distrito Federal recolheu R$ 333,5 milhões em multas no ano passado, resultado inferior ao registrado em 2024 e 2023

O comportamento da arrecadação nos últimos sete anos - que coincidem com a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) - revela um movimento de crescimento contínuo até 2023, seguido de retração nos dois anos seguintes.

Comparativo anual das arrecadações:

|  Ano  |   Valor arrecadado  |
| -----  |   ------------------   |
| 2025 | R$ 333.552.884,83 |
| 2024 | R$ 386.919.918,97 |
| 2023 | R$ 396.498.059,01 |
| 2022 | R$ 303.360.640,43 |
| 2021 | R$ 239.415.212,13 |
| 2020 | R$ 251.968.218,46 |
| 2019 | R$ 289.074.196,01 |

A tendência recente é a de queda após pico histórico. O maior volume arrecadado no período ocorreu em 2023, quando o GDF ultrapassou R$ 396 milhões. Desde então, o montante vem diminuindo, uma vez que em 2024 registrou queda de cerca de R$ 9,5 milhões em relação a 2023. E 2025 aprofundou essa redução, com arrecadação R$ 53,3 milhões menor que a de 2024.
A queda acumulada entre 2023 e 2025 chega a aproximadamente R$ 63 milhões.
Mesmo com a queda recente, a arrecadação de 2025 permanece acima dos valores observados antes da pandemia. Em 2019, por exemplo, o total arrecadado foi de R$ 289 milhões — cerca de R$ 44 milhões a menos que em 2025.


A arrecadação de multas no Distrito Federal em 2025 revela a forte presença dos diferentes tipos de fiscalização no trânsito, tanto do DER quanto do Detran. Entre as fontes de receita, os radares fixos do DER aparecem como um dos principais responsáveis, somando R$ 38,4 milhões ao longo do ano. A Polícia Militar do DF, atuando em conjunto com o órgão rodoviário, também teve participação expressiva, com R$ 40,7 milhões arrecadados em autuações. As barreiras eletrônicas administradas pelo DER contribuíram com mais R$ 24,5 milhões, enquanto as multas aplicadas diretamente por agentes de trânsito do próprio departamento somaram R$ 13,1 milhões.
No âmbito do Detran, a arrecadação foi ainda mais robusta. As multas aplicadas pelo órgão chegaram a R$ 112,3 milhões, representando a maior fatia entre todas as categorias. As barreiras eletrônicas do sistema BET também tiveram impacto relevante: o BET I gerou R$ 38,8 milhões, enquanto o BET II acrescentou outros R$ 76 mil. As autuações registradas por avanço de semáforo renderam R$ 4,2 milhões, e os radares estáticos, utilizados em operações pontuais, contribuíram com R$ 15 mil. Já as ações conjuntas entre PMDF e Detran resultaram em R$ 61 milhões arrecadados. Houve ainda um pequeno volume de multas aplicadas a veículos do DF em outras unidades da federação, que totalizaram R$ 4,8 mil.
O conjunto desses dados mostra que, embora o número de infrações varie conforme o tipo de fiscalização, a soma das diferentes frentes de atuação — radares, barreiras eletrônicas, operações de rua e policiamento — compõe um sistema amplo e diversificado de controle do trânsito no DF. Esse mosaico de fontes ajuda a explicar por que, mesmo com oscilações no total de infrações, a arrecadação anual permanece elevada e distribuída entre múltiplos mecanismos de fiscalização.

O que explica o recuo

Embora os dados não detalhem as causas, especialistas costumam relacionar oscilações desse tipo a fatores como:
- mudanças no comportamento dos motoristas,
- redução no número de infrações registradas,
- alterações na fiscalização eletrônica,
- variações no número de equipamentos ativos,
- campanhas educativas mais intensas.