BRASILIANAS | Sucessão no DF permanece aberta: indefinições e rearranjos marcam disputa pós-Ibaneis

Pré-candidatos já se movimentam e partidos articulam alianças para ocupar o espaço deixado por Ibaneis Rocha. Com alianças instáveis, corrida ao Buriti vira tabuleiro em constante transformação

Por William França

O Palácio do Buriti se torna o principal epicentro de uma disputa antecipada para 2026

Pré-candidatos já se movimentam e partidos articulam alianças para ocupar o espaço deixado por Ibaneis Rocha

Com alianças instáveis, corrida ao Buriti vira tabuleiro em constante transformação

Com a impossibilidade de reeleição do atual governador Ibaneis Rocha (MDB), o Palácio do Buriti se torna o principal epicentro de uma disputa antecipada para 2026. A sucessão no Distrito Federal ganha contornos de “vale-tudo” político, com diferentes campos ideológicos tentando herdar o capital eleitoral construído ao longo das gestões emedebistas desde 2019.

Nesse cenário, ao menos cinco nomes já se colocam publicamente na corrida: Celina Leão (PP), atual vice-governadora; José Roberto Arruda (PSD), ex-governador que busca recuperar protagonismo após anos afastado do poder; Leandro Grass (PT), presidente do Iphan e ex-deputado distrital; Paula Belmonte (PSDB), deputada distrital; e Ricardo Cappelli (PSB), que ganhou projeção nacional como interventor federal na segurança do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023.

As primeiras pesquisas de intenção de voto ajudam a desenhar o tabuleiro. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em outubro de 2025, mostra Celina Leão e Arruda liderando os cenários estimulados para o governo do DF.

No primeiro cenário testado, Celina aparece com 32,2% das intenções de voto, seguida de perto por Arruda, com 29,8%. Na sequência vêm Leandro Grass (11,8%), Ricardo Cappelli (6,4%) e Paula Belmonte (6,0%); brancos e nulos somam 8,6%, e 5% não souberam ou não responderam. A pesquisa ouviu pouco mais de 1,5 mil eleitores no DF entre 23 e 27 de outubro, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e índice de confiança de 95%. Em cenários de segundo turno, o instituto também aponta um quadro de equilíbrio entre Celina e Arruda, com ambos tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

O campo progressista articula uma possível aliança entre PT e PSB, que poderia unir Grass e Cappelli em uma chapa única, em movimento que remete à composição Lula–Alckmin no plano nacional. A aposta seria reproduzir no DF uma frente ampla contra a direita, explorando o desgaste de figuras tradicionais e tentando consolidar Grass como nome competitivo no segundo turno, já que ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas, mas com margem para crescer à medida que a disputa se polariza.

Na outra ponta, Celina Leão desponta como candidata competitiva, beneficiada pela máquina do governo, pela exposição como vice e pelo apoio de uma ampla frente de centro-direita. PP, Republicanos e MDB já sinalizam alinhamento, enquanto o PL observa o cenário e pode ser um fator decisivo na consolidação desse bloco.

A presença de Arruda, agora no PSD, reorganiza ainda mais esse campo: mesmo enfrentando discussões jurídicas sobre sua elegibilidade, ele demonstra força eleitoral e conserva um recall robusto, aparecendo bem colocado nas pesquisas e sendo testado em simulações de segundo turno.

Pedro Ventura/Agência Brasília - O cenário, contudo, ainda é altamente fluido e, ainda, sombrio

Paula Belmonte (PSDB) tenta se firmar como alternativa independente, buscando dialogar com o eleitorado insatisfeito tanto com o grupo de Ibaneis e Celina quanto com o lulismo no DF. Já Ricardo Cappelli (PSB) opera numa encruzilhada: seu nome agrega visibilidade nacional e credenciais na área de segurança pública, mas sua viabilidade eleitoral dependerá diretamente da engenharia de alianças no campo de centro-esquerda e da decisão sobre uma chapa única com Grass.

O cenário, contudo, ainda é altamente fluido. Até agosto de 2026, prazo final para registro das candidaturas, muitas dessas articulações podem mudar de lado, ganhar ou perder força a depender do humor do eleitor, da economia local, da avaliação do governo Ibaneis e do clima político em Brasília e no país. A tendência é de uma disputa marcada por forte polarização, tanto entre direita e esquerda quanto dentro dos próprios blocos, com reflexos diretos na política nacional, na relação do DF com o Planalto e no peso político do governo local na cena federal.

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