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O Doce Zuenir

Por Aristóteles Drummond

Integrante da Academia Brasileira de Letras, Zuenir morreu no dia 22

Conheci Zuenir Ventura nos anos sessenta quando fui trabalhar no Banco Nacional com José Luiz Magalhães Lins, que foi o pioneiro no acolhimento e no confiar no universo cultural brasileiro. Fiquei com o encargo de receber e encaminhar pedidos vários que permitiram acolher jornalistas, escritores, cineastas, atores, editores.

José Luiz tinha especial atenção para aqueles que pudessem estar tendo dificuldades pelas mudanças no país. Não foi o caso de Zuenir, pois já era jornalista de prestígio e só veio a ser preso no AI-5.

Quando o conheci no banco, fui logo alvo de sua simpatia e generosidade. Afinal, ele era de oposição e eu adepto de 64, como até hoje. Muitas vezes se fazia acompanhar da encantadora mulher, Mary, também jornalista. Mais tarde convivi com eles por causa de José Aparecido de Oliveira, o inesquecível mineiro com quem, por décadas, o Brasil contou, sendo ele o mais agregador de seus políticos.

Zuenir era a prova da força do destino e do bem na formação das pessoas. Mineiro de Além Paraíba, na fronteira com o Rio de Janeiro, acompanhou o pai para Friburgo antes de vir para a capital trabalhar. Por acaso, cruzou com Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa e o que o levou ao jornalismo, decorrência de já ter texto e cultura à espera de uma oportunidade.

Passou com destaque pelas principais redações não apenas pela competência e correção, mas pelo acolhimento aos iniciantes dos quais se tornou protetor.

Mesmo vendo nele um democrata com pensamento à esquerda, sempre vi em Zuenir a figura humana afetuosa e generosa, superior, que nem o sucesso como jornalista e autor de relevância histórica reconhecido abalou.

Nosso meio seria melhor com menos patrulhamento, preconceito, embora se entenda que nem todos tenham educação ou formação compatível com o convívio democrático. Sofri poucas restrições ao longo de 60 anos de jornalismo, apesar de agora sofrer incompreensões por me negar a votar, se for o caso, no segundo turno num dos dois favoritos.

Zuenir deixou um grande legado. Um dos últimos moicanos….