O exemplo de Aleluia
Quando os políticos de verdadeiro espírito público e patriotismo parecem rarear no Brasil, a posição assumida pelo ex-deputado José Carlos Aleluia, da Bahia, ganha significado relevante.
O engenheiro e político, com brilhante passagem no setor elétrico brasileiro, concorria como pré-candidato do Novo ao governo da Bahia. Renunciou à postulação para facilitar a eleição de ACM Neto, esperança dos baianos de pôr fim aos 16 anos de PT, período em que o estado caiu em todos as áreas, com destaque para educação, saúde e segurança.
Aleluia vem do grupo de administradores e técnicos que as lideranças civis do regime militar atraiam para a política. Com carreira ilibada, tem no filho, vereador em Salvador, um verdadeiro herdeiro de sua vida pública.
Oportuno que esta atitude seja divulgada fora dos limites do estado na medida em que pode servir de exemplo para outros casos, incluindo a sucessão presidencial.
Política não é coisa simples, como os equivocados costumam achar. A posição de destaque nas pesquisas precisa ser compatível com a rejeição. Lula venceu em 2022 pelos 38 milhões de eleitores que se abstiveram ou votaram branco e nulo. Agora, este número pode aumentar com o início da campanha e a divulgação da série de atitudes estranhas da família Bolsonaro, cujo projeto político cada vez mais se assemelha a um projeto eleitoral-familiar. Os políticos são escanteados e até humilhados. Repercute no meio político a traição ao senador Esperidião Amim, em Santa Catarina, preterido por um filho do ex-presidente que foi por 20 anos vereador no Rio. O simples fato da indicação de outro filho para a eleição presidencial sem ouvir ninguém, afronta os políticos e prejulga o eleitorado por aceitar a indicação familiar. Muita água vai rolar até outubro, embora a liderança carismática de Bolsonaro seja um fenômeno inédito na História republicana. Mas está provado que não é suficiente para vencer eleição em dois turnos.
Lula é político experiente, sabe das coisas da política e por isso, renovou a chapa com Alckmin de vice, pois sabe que ele foi decisivo para vencer, assim como a ausência de vice pode ter sido um dos ingredientes da derrota por tão pouco de Bolsonaro. Flávio vai ter dificuldade em encontrar vice de peso, pois, se o pai afastou um vice que era general, imagine o filho...
Os políticos são observadores e sabem dos riscos de ajudarem a formar um governo em que uma família dividida palpita e inexiste histórico de lealdade.
As pesquisas são importantes, mas não são seguras antes da reta final das duas últimas semanas. Muito difícil avaliar o quadro eleitoral brasileiro.