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Participação feminina ajuda na instalação de sistemas agroflorestais em Magé

Projeto Cultivar combina produção de alimentos, recuperação e educação ambiental

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O Projeto Cultivar - Programa de Aceleração da Transição Agroecológica de Sistemas Alimentares em Territórios Periféricos do Rio de Janeiro, realizado pelo Instituto PermaLab, concluiu, no mês de setembro, a implementação de três sistemas agroflorestais (SAFs) em Magé. Iniciadas em maio, as ações combinam produção de alimentos, recuperação ambiental, educação ambiental e geração de renda, com mulheres das comunidades atendidas participando da construção e execução das atividades.

O projeto atua em comunidades periféricas, onde questões sociais e ambientais se cruzam. A escolha dos territórios considera critérios como vulnerabilidade social e econômica, insegurança alimentar, escassez de infraestrutura, viabilidade para implementação de tecnologias sociais e presença de lideranças femininas e negras locais. A partir desse diagnóstico, a equipe constrói as ações junto às comunidades, considerando os conhecimentos e as necessidades de cada local.

- A proposta surgiu de uma trajetória acumulada de 14 anos de atuação direta do Instituto Perma Lab em territórios periféricos. Foi desenhada a partir do diálogo contínuo com as bases e da escuta das necessidades locais em relação à segurança alimentar, ao enfrentamento de desertos alimentares e à urgência de soluções de resiliência climática nessas regiões. O projeto foi delineado buscando dar continuidade e complementar o trabalho que outras instituições parceiras realizam e realizaram nos territórios beneficiados, garantindo o aprofundamento das ações desenvolvidas - explica Ana Souza, coordenadora do Projeto Cultivar.

Nesse processo, o protagonismo das mulheres é uma das estratégias do projeto. Elas estão envolvidas desde a implementação e manutenção dos sistemas até a destinação e comercialização da produção. O Cultivar também oferece aulas de empreendedorismo, fóruns e outros espaços de formação e diálogo sobre questões ambientais, sociais e territoriais. A produção pode ser destinada ao consumo das próprias famílias ou comercializada em feiras e outros espaços, criando possibilidades de geração de renda e fortalecendo a autonomia econômica das participantes.

- As mulheres são a maioria expressiva na gestão e manutenção das hortas e iniciativas agroecológicas comunitárias periféricas. como protagonistas valoriza o conhecimento tradicional que acumulam, fortalece sua liderança comunitária, estimula a equidade de gênero e garante uma gestão mais inclusiva e democrática dos recursos territoriais. Além disso, a produção sustentável de alimentos precisa combater o machismo e as desigualdades de gênero para funcionar de verdade. Embora estejam na linha de frente da agroecologia, as mulheres enfrentam barreiras estruturais e históricas que frequentemente impedem o reconhecimento total do seu trabalho - afirma Ana Souza.

Além dos sistemas agroflorestais, o Cultivar implementa tecnologias sociais como viveiros de mudas e bancos de sementes. A metodologia inclui mutirões, visitas técnicas, capacitações e acompanhamento das áreas, combinando conhecimento técnico e saberes locais. Entre os impactos buscados estão o enfrentamento da insegurança alimentar e dos "desertos alimentares", a melhoria da renda familiar, a recuperação de áreas degradadas, o aumento da biodiversidade e o fortalecimento da resiliência socioambiental das comunidades.

- A proposta do Cultivar é trabalhar essas dimensões de forma integrada. A produção de alimentos, a recuperação ambiental, a geração de renda e a resiliência climática fazem parte de uma mesma estratégia quando pensamos em territórios periféricos - conclui Ana Souza.

O Projeto Cultivar tem duração de 18 meses, entre abril de 2026 e outubro de 2027.