Acolhimento transforma a vida das mulheres
Vítimas de violência têm apoio na Casa da Mulher Nilopolitana
Em mais um ano marcado por estatísticas alarmantes de feminicídio no Brasil - com média de quatro mulheres mortas por dia -, a Casa da Mulher Nilopolitana consolidou-se como um porto seguro para 212 mulheres em 2025. Embora o órgão ofereça suporte jurídico e capacitação profissional, é o atendimento psicológico que dá condições para que as vítimas consigam romper o ciclo de abusos e reconstruir suas identidades.
A maioria dos casos registrados no último ano envolve violência psicológica e moral — feridas invisíveis que, segundo especialistas, costumam preceder as agressões físicas. Para Rosane Vidiello, psicóloga que atua há nove anos na unidade, o acompanhamento clínico vai muito além da escuta, é uma ferramenta de emancipação.
"A autonomia dessas mulheres fica profundamente comprometida pelo relacionamento abusivo. O trabalho da psicologia oferece o suporte necessário para que a vítima elabore as vivências sofridas e tome consciência de seus direitos. Construímos juntos uma estrutura psíquica para que ela siga sua caminhada de forma segura e com total autonomia", explica a psicóloga.
Resgate da autoestima e da vontade de viver
Os relatos das assistidas confirmam que o cuidado com a saúde mental é o primeiro passo para a retomada da rotina. A cabeleireira Janaina Costa, que viveu 12 anos em uma relação abusiva, encontrou no consultório a força para enfrentar a separação. "O atendimento com a psicóloga está sendo ótimo. Ela conversa comigo e tem me ajudado muito a conquistar minha nova clientela".
Já para a esteticista Graziela Suelen de Oliveira Lourenço Martins, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, a terapia é o que a mantém firme enquanto busca estabilidade financeira. Após cinco episódios graves de violência e tentativas de tirar a própria vida, ela buscou a Casa com um foco claro: o tratamento psicológico para processar o trauma e conseguir voltar ao mercado de trabalho.
Rede de Apoio Integrada
Para complementar o fortalecimento emocional e emancipação dessas vítimas, a Casa da Mulher oferece oficinas de corte e costura, crochê e estética, visando a geração de renda. O trabalho é reforçado pela parceria com a OAB Mulher Nilópolis, que atua no acolhimento jurídico e na fiscalização do atendimento público prestado a essas mulheres.
"Colaboramos na elaboração de projetos de enfrentamento e promovemos cursos para que a rede de atendimento saiba agir na prática", disse Gisele Tompson, presidente da comissão.